Ainda há tempo para a União Europeia assumir uma posição de liderança antes de Copenhaga

Depois de anos a assumir-se como líder na arena climática, os chefes de estado da União Europeia (UE) desapontaram hoje aqueles que esperavam uma posição clara da UE para Copenhaga. A Rede Europeia de Acção Climática, coligação de organizações não governamentais de ambiente nas áreas do clima e energia da qual a Quercus faz parte, lamenta que hoje a UE não tenha dado um passo em frente para travar a crise climática.

 

Hoje, os líderes europeus aprovaram a proposta de financiamento, apresentada em Setembro pela Comissão Europeia, para acções de mitigação e adaptação às alterações climáticas nos países em desenvolvimento. Embora a União Europeia tenha mostrado aqui algum espírito de liderança ao ser a primeira a avançar com uma proposta de financiamento, não é ainda claro de onde virá o dinheiro e quanto a Europa está disposta a pagar como sua justa parte no financiamento total. Por outro lado, este financiamento tem sido relegado para um plano voluntário.

 

Francisco Ferreira, vice-presidente da Quercus considera que “a União Europeia não está a ter visão. O financiamento climático para os países em desenvolvimento é um investimento urgente no futuro”.

 

As Organizações Não-Governamentais (ONGs) de ambiente europeias esperavam que os Chefes de Estado europeus, reunidos entre ontem e hoje em Bruxelas, percebessem o momento crucial em que nos encontramos e aprovassem um novo fundo para os países em desenvolvimento, que estão já a sofrer os efeitos das alterações climáticas, cuja responsabilidade é das nações desenvolvidas.

 

A Rede de Acção Climática Europeia está também preocupada com a falta de clareza da posição europeia sobre a questão do excedente de direitos de emissões ou “ar quente”. De acordo com um relatório da coligação, lançado esta semana, a combinação entre o pouco ambicioso nível de redução actual proposto pelos países desenvolvidos e o problema dos direitos de emissões tidas como ar quente, remanescente do período de Quioto, pode resultar num decréscimo de apenas 1% das emissões no pós-2012.

 

Todavia, as ONGs de ambiente europeias não encaram as (não) decisões de hoje como uma desistência. Ainda há tempo, para a União Europeia dar um passo em frente e mostrar liderança, quer em relação ao financiamento, quer nas metas de redução, na última Cimeira da UE em 2009, a agendar durante a Conferência de Copenhaga.

 

 

Lisboa, 30 de Outubro de 2009

 

A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

 

Share

 

Quercus TV

 

 

                            

 

Mais vídeos aqui.

 

 

Quercus ANCN ® Todos os direitos reservados
Alojamento cedido por Iberweb